História da Escola

      A Escola Estadual Trajano Procópio de Alvarenga Silva Monteiro, nasceu Escola Polivalente, como poderemos ver abaixo, nos trechos do artigo: Os Colégios Polivalentes em Minas Gerais: A experiência da Escola Estadual Guiomar de Freitas Costa (Uberlândia, 1971-1980), escrito por Luciana Araújo Valle de RESENDE e Wenceslau GONÇALVES NETO, que explicam a criação destas escolas e suas finalidades.

     
      No contexto internacional da Guerra Fria e do interesse norte-americano em expandir e consolidar seu poderio político e econômico aos países da América Latina, logo após o golpe de 1964, o Brasil e os EUA passaram a assinar vários acordos de cooperação entre os dois países, dentre os quais, os acordos MECUSAID para a melhoria da educação brasileira.

     
      Acordos como esses já haviam ocorrido em momentos anteriores em outras áreas da educação. Só para exemplificar podemos citar a CBAI – Comissão Brasileiro-Americana para o Ensino Industrial. Segundo Ciavatta (2009,p. 313), esta comissão surgiu “[...] como parte do Ministério da Educação, no Brasil”, e o acordo “[...] visava ao intercâmbio de informações relativas aos métodos, materiais e orientação educacional para o ensino industrial e o treinamento de professores”.


      Para que o acordo entre o MEC e a USAID pudesse ser viabilizado, a USAID contratou quatro especialistas, que atuariam como consultores por dois anos, e que, em conjunto com quatro educadores brasileiros, comporiam a equipe responsável por implementar as ações previstas pelo convênio. Assim, foi estruturada a EPEM (Equipe de Planejamento do Ensino Médio) nacional, com oito membros, para assessorar os estados e implantar as EPEMs locais, subordinadas à nacional. O acordo que, inicialmente, previa uma duração de dois anos – 31/03/65 a 30/07/67 – foi sendo renovado e vigorou até 1976 e atendeu principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.


      Os trabalhos da EPEM deram origem a vários programas, dentre eles, o que nos interessa no presente estudo, o PREMEM.


      O PREMEM (Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Médio) foi regulamentado pelo Decreto n. 63.914, de 26 de dezembro de 1968, com o objetivo de “[...] incentivar o desenvolvimento quantitativo, a transformação estrutural e o aperfeiçoamento do ensino médio” (BRASIL. Decreto n. 63.914, de 1968). Para tal, contou com “recursos orçamentários federais e estaduais, e extraorçamentários de fontes internas e externas”.


      Vem daí o apelido PREMEM, que se mantém até os dias atuais, mesmo com a mudança do nome da escola que aconteceu em 1974


      A Formação Específica era composta pelas três áreas econômicas – primária, secundária e terciária – cada uma delas incluindo vários conhecimentos. Primária: olericultura, jardinagem, fruticultura, indústrias de produtos alimentícios, zootecnia (cunicultura, avicultura); secundária: artes gráficas, cerâmica, eletricidade, madeira, metal, mecânica; terciária: miniempresa comercial, atividades comerciais, atividades bancárias, atividades de escritório, datilografia e habitação e decoração.


      A inauguração da primeira escola Polivalente em Minas Gerais foi noticiada pelo jornal Correio de Uberlândia, no dia 12 de setembro de 1971, anunciando o projeto do PREMEM, que pretendia, além de criar 240 mil vagas no ensino fundamental, implantar um novo modelo de ensino de primeiro ciclo. 132 • História da Educação R. Educ. Públ. Cuiabá, v. 22, n. 48, p. 127-145, jan./abr. 2013 O projeto previa serem construídas, até 1974, mais 275 escolas Polivalentes, além das 30 escolas tradicionais já existentes que seriam adaptadas a esse novo programa. Previa, ainda, o treinamento de 23 mil professores e um investimento de 244 milhões de cruzeiros. Os Ginásios Estaduais Polivalentes, assim denominados pela Lei que os regulamenta, Lei n. 5.760 de 14 de setembro de 1971, foram criados, numa primeira etapa, em oito cidades – Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia, Montes Claros, Teófilo Otoni, Divinópolis e Patos de Minas